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Estradeando pela região da Grande Florianópolis

  • Foto do escritor: amigasestradeiras
    amigasestradeiras
  • há 15 horas
  • 9 min de leitura

Rancho Queimado, Angelina e São Pedro de Alcântara, 16 e 17 de maio de 2026

 


Mesmo com a previsão apontando tempo instável para o fim de semana, nada deteve a ânsia das estradeiras em botar o pé na estrada. O destino escolhido foi a porta de entrada da serra catarinense, a cerca de 200 km de nossa cidade, Blumenau. Ainda bem que seguimos o nosso instinto passeador, pois o tempo super colaborou, abrindo até um solzinho de vez em quando.

 

Saímos de casa às 6 horas da manhã, prevendo em média 3 horas de viagem, então no meio do caminho fizemos uma parada para lanche no Rancho do Opa, em Itapema. Recomendamos fortemente por ser um local bem bonito e acolhedor, com lanches gostosos, banheiros limpos, preço justo e várias opções de produtos coloniais.

 




A primeira cidade visitada foi Rancho Queimado, que é considerado um charmoso refúgio serrano, com clima ameno e forte herança cultural germânica. É conhecida como a ‘Capital Catarinense do Morango’, tendo várias propriedades que oferecem o sistema ‘colha e pague’. Seu povoamento teve início em 1787, muito ligado ao tropeirismo na região, e hoje a população conta com pouco mais de 3000 habitantes.

 


Por volta de 9:30h chegamos no pórtico da cidade, que já é um cartão postal do município, destacando-se pela arquitetura em estilo enxaimel.

 


Passando pelo pórtico, à esquerda temos o ‘Passeio Gastronômico Casa Centenária’, onde ficam quiosques de alimentação e de venda de produtos regionais e lembranças, o mapa com localização dos pontos turísticos, além de um barrigômetro onde você pode testar sua circunferência abdominal e uma antiga cabine telefônica que rende belos retratos.

 




Já do lado esquerdo fica a empresa familiar Bebidas Leonardo Sell, fundada em 1905, fabricante dos tradicionais refrigerantes Pureza, que atualmente também envasa água mineral. A fábrica permanece ali até hoje e mantém a mesma logo desde a fundação. Várias garrafas de guaraná Pureza vieram na nossa bagagem.

 



Dali, nos dirigindo ao centro, passamos por um belíssimo casario antigo, muito bem conservado, demonstrando o capricho dos moradores locais.

 


A Praça Leonardo Sell, conhecida popularmente como Praça Coberta, é o local de encontro da cidade, onde acontecem a feira Agroarte nos fins de semana e festividades diversas. A parte coberta abriga a feira de produtos coloniais e artesanato, e ainda tem opções gastronômicas. O jardim do entorno é bem cuidado, tem playground para crianças e um letreiro para fotos.

 


Chegando em Taquaras com fome, já fomos direto ao Restaurante Galpão Tropeiro, que serve uma saborosa comida tropeira em panelas de barro, no fogão a lenha, acompanhado de saladas frescas. O restaurante está abrigado num antigo galpão que no passado foi uma marcenaria, com ambiente rústico, mas aconchegante. A decoração e o sabor da comida comprovam toda a tradição envolvida no processo. Atendem aos sábados, domingos e feriados, por ordem de chegada, com sistema de buffet livre, de março a dezembro.

 



A próxima parada foi na Igreja Luterana de Taquaras, que foi inaugurada em 1950. Ela fica no alto do Morro de Navalhas e, no meio da escadaria que lhe dá acesso, tem um grande coração de grama. Com torre de 26 metros e um cemitério ao fundo, o local preserva a memória de famílias que formaram a comunidade local. Não estava aberta para visitação ao seu interior.

 


Mas o saudosismo vem à tona mesmo chegando ao Posto Teófilo Schutz, que é um dos mais antigos postos de combustíveis do nosso estado, ainda em funcionamento. Ele foi fundado na metade do século passado e ainda preserva sua arquitetura original, além das bombas de 1950. Inclusive a bandeira Texaco foi mantida. Parece cenário de filme e atrai muitos visitantes. Ali no entorno uma belíssima residência de 1930 e uma praça que leva o mesmo nome do posto.

 




E o museu da região está abrigado na ‘Casa de Campo do Governador Hercílio Luz’, uma charmosa edificação histórica que foi adquirida em 1911 pelo então governador, para casa de descanso e lazer, e hoje é tombada como patrimônio. Preserva relíquias da colonização e da política catarinense, através de mobiliário antigo, objetos pessoais e um belíssimo jardim. O local é monitorado, não cobra ingresso e oferece um vídeo curtinho que conta um pouco sobre Hercílio Luz e sua relação com o local.

 



Logo no outro lado da rua fica a Igreja de São Bonifácio, originalmente construída em madeira no ano de 1910 por Hercílio Luz, a pedido de sua primeira esposa, mãe de 14 dos seus 19 filhos. A atual estrutura, em alvenaria, foi finalizada em 1940 e hoje pertence à comunidade católica de Taquaras. É um local de muita fé e devoção pois ali, no cemitério aos fundos, está enterrada Maria Amida Kammers, uma jovem que foi assassinada na década de 1960 e a quem são atribuídas muitas graças alcançadas. É aberta somente para as missas.

 


Voltando ao centro, fomos ao Bergkafee Café Colonial Germânico, que fica localizado num terreno alto e não passa despercebido pela imponência e cor vibrante do prédio. Serve um café colonial completo, com boa variedade de doces e salgados, com pratos caseiros e receitas tradicionais. O ambiente é acolhedor, aquecido por lareira e fogão a lenha. Trabalham nos sistemas de buffet livre e também por quilo. Tem bom estacionamento e o atendimento é cordial.

 



Então depois do café nos dirigimos à cidade vizinha Angelina, que fica somente 15 km distante de Rancho Queimado. Logo na divisa dos municípios, nos deparamos com o Mirante da Cachoeira – Angelina, espaço de contemplação de uma belíssima queda d’água, que transmite muita paz. Tem espaço de estacionamento e rende fotos bem bonitas.

 


Angelina, também conhecida como Vale das Graças, foi fundada colônia em 1860 e emancipada como município em 1961. Foi colonizada por alemães e até hoje carrega fortes traços da herança dos imigrantes. A economia é baseada na agricultura familiar e o turismo religioso tem muita força na região. A população conta com pouco mais de 5000 habitantes e o ritmo de vida por lá parece calmo e tranquilo. Novamente é fácil se deparar com belos exemplares de casas antigas e bem conservadas, o que embeleza muito a região.

 


Assim que chegamos, fomos diretamente ao local que tínhamos reservado para o pernoite, no Blumengarten Haus, que curiosamente fica no Convento da Congregação das Irmãs Franciscanas de São José. E afirmamos: que lugar maravilhoso! É um verdadeiro santuário de tranquilidade, parece um abraço caloroso. Além de hospedagem, também tem restaurante que serve almoço e café colonial. O espaço é enorme, tem amplo estacionamento, jardins maravilhosos e uma arquitetura marcante. O atendimento é prático, mas cordial. O nosso quarto não era grande, mas tinha camas confortáveis, frigobar, televisão e banheiro funcional.



O café da manhã é bem servido, com muitos produtos caseiros feitos ali mesmo, como pães, bolos e geleias. Inclusive, é possível comprar cucas, pães ou bolachas, caso queira levar algo junto pra casa. Em 2027, as irmãs franciscanas irão comemorar 100 anos de presença na cidade. É um lugar verdadeiramente abençoado, para descanso, contemplação e conexão com o divino. PAZ e BEM!

 



Depois de um breve descanso, já no fim da tarde, fomos ao centro da cidade, mais precisamente na Praça Nicolau Kretzer, onde naquele fim de semana acontecia a 29ª edição da Festa do Queijo e do Mel. Pensem numa festa que movimenta toda a cidade, com shows musicais, feira de produtos coloniais, gastronomia típica, desfile histórico-cultural, muita alegria e descontração. Tudo isso ali naquele espaço da praça e seu entorno, com organização, harmonia, sem baderna. As estradeiras, que adoram uma feira, quase nem ficaram felizes. Trouxemos queijo e mel? Com certeza!

 


E ali, em frente à praça, fica a Igreja Matriz da Imaculada Conceição, que encontramos aberta ao término da missa. Foi inaugurada em 1948 e tem uma edificação marcante, em estilo grego-romano, com duas imponentes torres de 35 metros de altura. O interior tem grandes colunas, piso ladrilhado, bancos de madeira e um altar minimalista, porém profundo. Essa igreja faz parte de um dos mais importantes santuários e ponto de peregrinação do nosso estado, sobre o qual ainda falaremos mais, um pouco adiante.

 


Para o jantar, escolhemos o Rafa’s Bar e Lanchonete, logo ao lado da igreja, onde comemos bons lanches e tomamos uma taça de vinho, num ambiente bem aconchegante e intimista, com luz baixa, atendimento impecável e preço muito justo.

 


No domingo de manhã, após um bom café, tiramos um tempinho para explorar e fotografar os diversos cantinhos do hotel, para depois já fazer o check-out e seguir viagem.

 



No caminho de volta ao centro, fizemos uma parada na ‘Casa do Campo produtos coloniais’, onde, como o nome já diz, encontramos vários produtos caseiros. Vendem bolachas, queijo, geleias, salame, bebidas, e até feijão a granel. Quem nos atendeu foi um senhorzinho muito simpático e prestativo.

 


Já de volta ao centro, novamente ali na praça da festa, ainda conseguimos ver o desfile histórico-cultural, que foi bem bonito, todo narrado e reuniu muita gente. Aproveitamos também para dar mais uma passadinha na feira, que sempre nos encanta.

 


Ali no entorno fica outro comércio bem tradicional, numa edificação típica, que é um mini mercado que oferece uma miscelânea de produtos, daquele colorido que enche os olhos. Com assoalho e forro de madeira, bancadas recheadas e até aquelas ofertas na porta, o ar interiorano aflora nesse ambiente.

 



Depois fomos conhecer a gruta, dedicada à Nossa Senhora de Lourdes, que juntamente com a Igreja Matriz compõe o Santuário Nossa Senhora de Angelina. A gruta fica encrustada numa montanha, rodeada por mata, e o acesso a ela se dá por uma trilha no meio da natureza, de aproximadamente 740 metros, toda pavimentada. Nesse caminho passamos pelo jazigo do Frei Zeno Walbroehl, idealizador da gruta no início do século passado; por um pequeno cemitério, quedas d’água e 14 estações da Via Sacra de Jesus Cristo. Chegando lá no alto, a estátua da Santa está acomodada estre pedras, ao lado de uma queda d’água de 12 metros de altura. Centenas de placas de gratidão por graças alcançadas ladeiam o local.

 


Para o almoço, como os restaurantes todos tinham muita fila naquele dia, pelo fato da festa ainda seguir até de noite, optamos pela praticidade e pedimos uma pizza, na Pizzaria Mão na Massa, que também ficava ali no entorno da praça. Com ambiente simples, mas comida saborosa e atendimento gentil, saímos satisfeitas e prontas para seguir para a última cidade que iríamos visitar nesse passeio.

 


Esta foi São Pedro de Alcântara, distante pouco mais de 1 hora de Angelina. Queríamos ter ido pelo interior, estrada de chão, pois dizem que tem belas paisagens. Mas não foi possível, pois a estrada estava interditada para obras. Esta cidade é considerada o berço da colonização alemã no nosso estado, foi fundada em 1829 e hoje conta com cerca de 6000 habitantes. Ainda preserva fortes traços da cultura germânica, por exemplo na arquitetura, e tem aquele clima natural da calmaria rural.

 


Paramos o carro na Praça Leopoldo Francisco Kretzer, região central da cidade. Essa compreende o letreiro, uma escultura que representa uma família de imigrantes, um pequeno obelisco onde constam os sobrenomes das famílias de imigrantes alemães que chegaram ali até 1900, além de uma grande figueira que foi tombada pelo município.

 



Logo ao lado fica o prédio que abriga a Casa de Cultura e Turismo, numa construção da década de 1940, que além de informações históricas e culturais, também fornece informações turísticas. Mas, infelizmente, estava fechada. Aliás, pelo que percebemos, muitos locais ali só atendem de segunda à sexta-feira.

 


E ali da praça também já é possível avistar, no alto de um morro, a cerca de 1 quadra de distância, a majestosa Igreja Matriz de São Pedro de Alcântara. Inaugurada em 1929, a construção suntuosa e arrojada, em estilo neogótico, foi erguida em apenas 3 anos, através de mutirões de 30 a 40 pessoas que trabalhavam com esmero. Com vista privilegiada, o lugar é um verdadeiro refúgio de paz e contemplação. O seu interior é outro espetáculo, com assoalho que mistura madeira e ladrilhos, elegantes colunas que sobem do chão ao teto, vitrais simples que filtram a luz e dão um charme ímpar ao ambiente. Pra se ter ideia das dimensões, a torre central mede 43 metros de altura e a distância da porta até o altar é de 34 metros. A Igreja Matriz é um verdadeiro monumento vivo da fé, que fala sobre a história e solidariedade de um povo. Belíssima!

 


E aos pés da igreja, próximo à escadaria que dá acesso ao templo, fica a Gruta de Nossa Senhora de Fátima. Essa foi inaugurada em agosto de 1954 para atender aos fiéis em suas romarias locais.

 


Também ali pertinho, tanto que fizemos tudo a pé, vimos uma linda casa, típica da colonização alemã, e não pudemos deixar de registrar. Rodeada por um belo gramado verde, as cores e traços graciosos não passam despercebidos. O lambrequim azul, cuidadosamente recortado na beira do telhado, deixa a construção ainda mais charmosa. Imaginamos que ela não seja mais habitada, mas que a família a mantenha assim impecável para apreciação de quem está passando.

 


Ainda paramos na Stahelin Garten Haus, à procura de indicações para um café da tarde e ficamos encantadas. Essa é uma grande loja voltada à jardinagem e paisagismo, com muitas opções em flores, plantas e artigos de decoração, tanto de casas, como de jardins. E as meninas, muito simpáticas, nos indicaram uma boa cafeteria.

 



Nesse caso, nossa última parada antes do retorno foi na Padaria Pão da Colônia, já em São José. Com ambiente aconchegante, atendimento eficiente e preço super justo, comemos saborosos doces e salgados, acompanhados de um cafezinho quente, antes de encarar as mais de duas horas no carro, que nos separavam de casa.

 


Então já perto das 20 horas estávamos de volta aos nossos lares, com o coração cheio de gratidão por mais esse passeio lindo, que pra nós são válvulas de escape da rotina diária e também são alimento da nossa amizade já de tantos anos!

 

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